sexta-feira, 16 de julho de 2010

Romance


É verdade sim que sou uma romantica, das praticas, mas não deixo de o ser.
E embora me emocione sempre que vejo aqueles filmes em que fazem declarações de amor inflamadas, pensando sempre que me iria saber muito bem "uma coisa á filme" com o meu sapatinho, agora descobri algo melhor. Em vez de ouvir e guardar essa cena como mais um capitulo, percebi que é melhor sentir esse amor mesmo quando não há palavras. Porque há coisas que nós só fazemos quando realmente amamos alguém. Confiar a nossa vida e implicações futuras, só acontece (partindo do principio que somos equilibrados e precavidos) com aquela pessoa que nós queremos que faça parte da nossa vida independentemente das circunstâncias do momento. Aquilo que me foi dado é de uma responsabilidade imensa e uma das melhores provas de amor que se pode ter. Afinal palavras leva-as o vento...

1 comentário:

j maria castanho disse...

PASSEIO EXISTENCIAL




No fundo do amor está o amor.
À volta, no cimo, estão diversas coisas
Que às vezes nos entretêm: os nomes,
Principalmente, os nomes!
Somos todos iniciados na técnica de compreender
Que Outono é quando as folhas caem!


Podíamos passar por entre elas...
Ser-lhes a invocação imediata...
Enfim! Sermos díspares parcelas
Desse jogo infinito, a concordata...
...Um tratado! Caminhamos..., elas caem,
O sol vem recortante, capilar,
E os olhos descem e cerram, descem
Para dentro em busca do seu começar!

As pombas rodam, rodam as árvores,
Codificam-se os gestos e as cores
E faz imenso vento ruissussurrante
Mexendo as vestes, os cabelos
Os endereços, os remetentes, os selos
A imagética do corpo tonificante
E o chiar dos pneus, o tilintar eléctrico
A voz anunciante, o nome métrico.
Se nos liquidamos as pombas saem
Do quadro – é melhor deixá-las ficar
Como se fossem paz à volta do amor
Coisas, nomes principalmente, a rodar
A voar!...


Estamos num jardim: um qualquer!
Faz menção de sermos homem e mulher
(É que podíamos!... Deveras!) Ou avenida!
Porque não sonhos?... O sonho também!
Um saco deles! Bagagem de mistério...
Um livro... Um quarto de aluguer...
Pessoas amorfas que vão e que vêm
E que arrastam consigo toda a vida,
E um odor a incesto e adultério...


E os olhos cerram, descem, descem...

E os olhos cerram, descem, descem...


Deixámos os lábios que sabem a amizade:
Deixámos as roupas que usam o desejo:
Deixámos o sangue que cozinha prazer:
Deixámos as mãos que esculpem carinho:
Deixámos a palavra que recita a verdade:
Deixámos a despedida que encontra o beijo:
Deixámos o sol que encanta o crescer:
Deixámos o vento que murmura caminho:
Mas os olhos cerram, descem, descem...

Mas os olhos cerram, descem, descem...

Mas os olhos cerram, descem, descem...


Há, então, um pestanejar: o sonho agita-se.
E os olhos cerrados, descidos, perguntam:
«Para onde vais?» - somos feitos assim!
E cada um pensa e contrai-se.
Fecha-se. Circula. E as respostas ecoam:
«À procura de mim» «À procura de mim»
«À procura de mim» «À procura de mim»
«À procura de mim» «À procura de mim»