domingo, 10 de fevereiro de 2013

Aquilo porque todas nós passamos

Existem momentos em que nos sentimos mesmo desesperadas. A palavra que não foi bem dita magoa, o olhar que não era aquele que esperavamos, deixa-nos num estado lastimável. E o pior disso tudo é o sentimento de culpa. Sim, porque nos fazem acreditar, ou dão pelo menos uma boa ajuda na ideia de que não somos bons o suficiente. De que fazemos tudo errado, que se correu mal a culpa é nossa. Ás vezes até é, não estou a particularizar nenhuma situação em concreto, mas muitas vezes somos nós que vivemos de ilusões, que acreditamos naquilo que queremos porque é mais fácil e que permitimos os abusos psicológicos exercidos, até acreditarmos que os outros é que têm razão e não valemos nada. Ás vezes temos a sorte de ter alguém mais velho e experiente que nos diz: Não fiques assim, eu também já passei pelo mesmo e dei a volta á situação. Quando nos dizem isso pudemos pensar - com o mal dos outros posso eu bem, ou então - ela de certeza que não passou pelo mesmo do que eu, é uma mulher tão forte, equilibrada, feliz. Acreditem quando vos digo que todas nós já passamos pelo mesmo. Um chamava-se manuel e o outro luis, um vivia em Queluz e o outro em Lousada, mas o efeito dá sempre o mesmo. Quando nós amamos mais o outro do que nós mesmos não amamos bem ninguém e tudo nos acontece porque tudo nós permitimos. E pensam vocês, está esta aqui a dar palestras para quê? Nem conta nada de vergonhoso, ou concreto com que nos possamos comparar! Pois bem, tempos houve em que tive um amor tão doentio que essa pessoa me chegou a dizer que o devia olhar com os mesmos olhos que olhava para todas as pessoas... - Sabes Susana, não deves olhar para mim como um Deus, sou como os outros homens, também vou a casa de banho como qualquer outro. Por este teor da conversa já dá para perceber como era patética a relação que criei. Por isso sim, passei por lá. Chorava de cada vez que me voltava costas, era a mais infeliz das mulheres sempre que ficava meses sem nada me dizer. E sim, também passei pela fase em que achava que ia ficar para tia e viver com 5 gatos em casa. Tudo isso passou. Porque tive quem me tenha mostrado que também já pisou os mesmos terrenos que eu pisei e se soube valer. Na realidade temos que nos bastar a nós próprios. Com boa companhia tudo é melhor, mas somos nós que nos fazemos felizes, ao acreditar em quem somos, no potêncial que temos, nas coisas boas que pudemos fazer. Damos muitos tropeços na vida, porque passamos o tempo a fazer planos para o futuro e esquecemos que a vida já tem planos para nós. Há dois anos estava eu a negar uma candidatura aceite para fazer estágio na Noruega e depois trabalhar dois anos numa ONG na Índia e em Moçambique. Porque na altura do desespero achei que fugir daqui e ajudar os outros era a única solução, quando não parei para pensar que primeiro teria que me ajudar a mim própria a ser o melhor que sou. Fugir nunca é solução. Como hoje fui relembrada que tanta gente lê este blog e tanta ajuda tem vindo daqui, espero que estas palavras consigam chegar á pessoa que está prestes a cometer o mesmo erro que eu e todas as outras já cometemos. Aos 23 anos era mestre na asneira e aos 26 ainda não tinha melhorado a arte do disparate. É a errar que se aprende, mas já que não vivemos tempo suficiente para pudermos cometer todos os erros, bem que pudemos aprender com os dos outros.


2 comentários:

Anónimo disse...

Este post está impressionante, mesmo muito bom!
É um tema com o qual me identifico bastante...
Espero que quem esteja a passar por uma situação idêntica "abra os olhos" e interprete as tuas palavras como uma forma de alento/alerta e que perceba que se não nos amarmos o sufiente deixamo-nos chegar a um ponto em que vivemos para e em função do outro. No fundo, anulamo-nos em detrimento de quem amamos.

Continua o "bom trabalho".:)
SM

Ao Virar da Esquina disse...

Querida S, tanbém tu poderias iniciar um blog. Também tu escreves bem e tens já alguma bagagem de vida para partilhar.

Beijinho
Su