domingo, 21 de outubro de 2012

O mundo dos acamados

Já faz parte da rotina cá de casa. E o que apetece fazer a quem tem que cuidar de quem está acamado é ir para a cama também! Desde que voltei ainda não tive meia hora de descanso, entre a saída da mãe do hospital, tratar de todos os papeis para o apoio domiciliario, pedir enfermeiro para vir a casa trocar os pensos e organizar uma escala de quem fica com a mãe durante a noite e ir rodando o máximo possivel por forma a mais ninguém adoecer. E depois há doentes mais ou menos complicados que outros, não só pelas suas necessidades mas essencialmente pelo seu feitio. Numa escala de 1 a 10 a minha mãe tem um 4 em necessidade de apoio nocturno. No caso de seu feitio já posso dizer que está em 10 as exigências e disparates pela noite fora. E é também por isso que muitas familias colocam os deus idosos doentes em lares. Porque têm que trabalhar e não podem passar as noites acordados, porque não aguentam o ritmo de cuidar de alguém acamado. Aqui em casa há muita responsabilidade, muita organização e boa vontade, para que isso nunca aconteça, mas que existem dias em que falta a paciência e não nos sobra saúde para fazer mais lá isso existe!


terça-feira, 16 de outubro de 2012

De volta!

Cabo Verde é maravilhoso. Fiquei com um fraquinho por África, acho que é daqueles sitios em que não existe meio termo, ou se ama, ou se detesta. Sim tem muito calor, sim tem milhares de mosquitos chatos que picam mesmo com repelente, sim o saneamento básico é praticamente inexistente e o cuidado com a água e a alimentação tem que ser redobrado (sr fofinho voltou com uma gastroentrite e ainda hoje está de cama), mas tem aquela terra vermelha, aqueles trilhos e caminhos de cabras fantásticos de percorrer e explorar. Tem uma costa maravilhosa (e que me ia engolindo... sim... quase morri afogada na praia de Santa Mónica), tem um povo simples e genuino e é seguro.
Se voltava lá? Já amanhã! Quem diz para lá, diz para as outras ilhas além da Boavista e até mesmo continente. Fiquei com o bichinho daquela terra vermelha e é certo que volto a África!

sábado, 6 de outubro de 2012

A ousadia...

Pela primeira vez numa viagem de 7 dias vou levar dois livros para ler.
Vou acabar de ler o Abraço do José Luís Peixotoo, que vai a meio e me tem feito companhia nas salas de espera do hospital. Como é um livro de pequenas crónicas foi o ideal para o último mês, mas tem sido lido devagar. Em primeiro lugar porque é um livro para ser lido pausadamente, e depois porque aquele habitual periodo de leitura antes de adormecer não tem existido. Assim o plano é ler a metade que falta no aeroporto e durante a viagem de avião.

E depois este...


que já estava na calha há algum tempo, mas não há nada como ler um livro Africano em África.

Vamos ver se dia 14 volto com os dois livros lidos!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Então é isto...

Faltam 3 dias para viajar até Cabo Verde. A minha mãe está internada na Ortopedia sem data confirmada para a cirurgia ao fémur. A mãe do Sr Fofinho vai ser internada dia 10 porque finalmente lhe marcaram a cirurgia para colocar uma protese na anca e pela qual espera já há 1 ano. Quanto a mim (atirem pedras á cruz se quiserem), acho que dentro de todas as atrapalhações que nos têm acontecido, esta nem é a pior de todas. É que eu não sou médica, pelo que não faço cá falta em nenhuma das cirurgias. A zona da anca pede uma recuperação cuidada e demorada, pelo que o pior está para vir. Aliás tenho a certeza que quando ambas voltarem para casa vão precisar muito de nós e conseguiremos ajudar mais depois de descansarmos 1 semana. Sei que é estranho não estar e Portugal no dia em que são operadas, sei que vamos ficar preocupados, mas também tenho o pragmatismo de pensar que é melhor descansar agora, porque aquilo que aí vem não vai ser nada fácil.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Voltei a ser eu

Como bicho raro que sou, funciono ao contrário da maioria. Pequenas coisas vão moendo a minha paciência, As contrariedades diárias vão consumindo o meu bem estar. Situações inesperadas por minimas que sejam levam-me ao desespero. Estou numa fila de trânsito e choro porque vou chegar tarde. Perdi a máquina fotográfica e choro porque é coisa que nunca me aconteceu na vida. Não sei onde coloquei as chaves de casa e berro com os cães que se atravessam á minha frente e dificultam a minha busca do objecto perdido. Ando um caco, não durmo bem, a alimentação é feita de qualquer forma e ando sempre a correr para tudo quanto é sitio.
De repente há um click. Uma situação mesmo grave. A minha mãe caiu esta manhã e está internada a aguardar uma cirurgia ao fémur. Não existem muitas palavras para descrever a noite de ontém e as horas que se passaram até agora. Desde as crises de falta de ar, aos vómitos, aos delirios, a passar a noite acordada até ás 4h da manhã porque de 10 em 10 minutos a minha mãe se levantava da cama para fazer alguma asneira e eu a perseguia pela casa com medo que o pior pudesse acontecer. Pois, aconteceu. Hoje de manhã depois de já ter sossegado e dormido 5h, perguntei o que queria comer e fui á despensa buscar. Estava calma, mas ainda assim disse-lhe que ficasse sossegada na cama, que ia só á cozinha buscar um fortimel e estaria de volta. Toca o telefone ... alguém a  perguntar como tinha passado a noite. Passaram 5 minutos e começa a chamar. Fez tudo aquilo que lhe disse para não fazer. Levantou-se da cama, foi trocar a blusa do pijama, caiu e rachou o fémur.
Tive o sangue frio (que é coisa que sempre me assiste quando a situação é grave) de lhe perguntar se lhe doia algo e como se sentia. Apalpei, toquei e percebi que lhe doia a zona da anca. Estava sozinha em casa e liguei para uma amiga que vive próximo para me vir ajudar, em 10 minutos ela estava em minha casa. E foi assim que este ser frágil e hipersensivel teve a inteligencia e o sangue frio de ficar junto da mãe até a amiga chegar. De não deixar de forma alguma que ela mudasse de posição ou de a deslocar do sitio onde estava. De chamar o inem, e com a maior das calmas lavar a cara e os dentes, por creme, vestir-me, colocar uma garrafa de água na mala, umas bolachas e uma maçã e os exames da mãe para mostrar ao inem. ECG com 1 semana, guia de tratamento, informação da citigrafia feita ontém. Informar que a mãe é alergica á penincilina. Deixar que fosse na ambulância, avisar o médico dela, que estava a ir para o hospital e ir buscar o pai ao barbeiro para irmos juntos para o hospital.

Pequenas coisas destroçam-me. Grandes coisas fazem de mim alguém coerente, responsavel, controlada. Alguém que domina a situação. Alguém que liga para a familia a explicar o que se passou e ouve do outro lado da linha um grande choro e uma lamúria de - Ai e agora? E o que é que vamos fazer?
E responder calmamente - Nós não vamos fazer nada. A mãe vai ser operada, vai correr tudo bem e quando voltar para casa vou fazer uma escala com turnos para nos organizarmos de forma a ficarmos com ela. De resto é esperar e ser positivo.
E hoje finalmente escrevo mais do que meia dúzia de linhas, enquanto sei que ela está internada na ortopedia e tem todos os cuidados necessários. E hoje estou calma. Sinto-me sensata de novo, organizada, em controlo da situação, porque no fundo não há mais ninguém para fazer aquilo que eu faço e tomar as redeas da situação. E se eu pudesse escolher, essa pessoa não seria eu. Não teria sido eu a chamar o inem nem a estar em casa com ela. Não teria sido eu a assinar o consentimento para a cirurgia, quando sei que é aquilo que mais a assusta neste mundo, apesar de ser necessário.
Mas já que sou eu a ter que fazer tudo isto, que seja bem feito. E ainda sobra tempo para consolar os outros e dizer que vai correr tudo bem.
Daqui a 15 dias posso chorar patéticamente porque perdi mais um brinco e porque coitadinha de mim mimimi tudo me acontece! Mas até lá vai correr tudo bem com a minha mãe.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

This is me

Camisolas de malha branca.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Faltam 7 dias

Para ir de férias, tudo por generosidade da minha familia que se conseguiu organizar para puderem ficar com a minha mãe na semana em que estarei ausente. Fica bem entregue com uma das médicas da familia aqui em casa. Ainda assim não tenho o mesmo entusiasmo dos outros anos. Já olhei para a mala e não tenho vontade de a fazer, mesmo sabendo que vou de férias com o namorado, para um sitio paradisiaco onde posso descansar e fazer nada que é do que preciso muito. Sei que o pior ainda está para vir e que vou descansar na altura certa, com a pessoa certa no sitio certo, mas ando tão consumida por esta ansiedade, tão deprimida com tudo aquilo que está a acontecer que ainda não consegui entrar em modo de viagem.