quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Muito "nós" na Boavista







Há vários meses que andamos numa boa fase. Acho que quando a nossa vida se complica realmente e somos colocados à prova em todos os sentidos, também conseguimos testar e perceber que tipo de apoio temos da pessoa que a divide comnosco. Os problemas têm sido tantos que deixamos de ter tempo para discutir por coisas insignificantes e temos sido bons companheiros nas dificuldades. Hoje tivemos um pequeno arrufo, que veio interromper estes 4 meses de tranquilidade amorosa. Porque eu ando cansada, porque tenho pouco paciência, porque os dilemas me consomem, porque tudo é demais neste momento. Ele porque estranha a minha ausência, porque se questiona porque estou distante, porque fica inseguro e desconfiado com pequenas coisas e eu com coisas tão grandes a acontecer irrito-me que ele tenha dúvidas pelo que é óbvio. Não se passa nada de errado na nossa relação, simplesmente um individuo não "é" por si só. É ele e as suas circunstâncias e as minhas agora mudaram e são dificeis. Tenho a mãe com uma esperança de vida inferior a 6 meses e tornou-se uma doente muito dificil de cuidar porque já atingiu a senilidade com esta doença prolongada. Tenho o pai cada vez mais consumido pela situação e com uma total incapacidade para decidir seja o que for. Tenho uma casa para organizar, gente para tratar, contas para pagar e ainda 8 casas com inquilinos completamente disfuncionais que ora pagam, ora saiem, ora não pagam, ora voltam. Os cuidados que a doença da mãe exige, implicam bastante dinheiro, para não a "despejar" num lar como muitos fariam. Além da medicação, são as fraldas, os cremes, as pomadas, os reguardos os colchões especiais para que quem esteja acamado não crie escaras. É pagar cadeira de rodas, é pagar apoio domiciliário para que venham a casa cuidar da sua higiene e bem estar. É ter enfermeiro para tratar de pensos e injecções, é comprar suplementos alimentares e fazer comidas especiais todos os dias na esperança que ingira algum alimento. É passar noites e noites sem dormir ou a caminho das urgências. É perder ordenado porque nem sempre se consegue ir trabalhar todos os dias com este cenário em casa. E é perceber como se tem dinheiro para aguentar isto tudo e ainda assim não ter insónias. É só isto que se passa na minha vida, não é falta de amor, de carinho ou atenção. Acho que a minha realidade é tão óbvia que nem percebo como se pode imaginar que se passem outras coisas que não estas, ou que se façam exigências ou se espere de mim o mesmo que tenho dado até há poucos meses, estando eu na situação limite em que estou. O arrufo passou, porque não tenho tempo para isso. Tinha simplesmente uma boa intenção que não se concretizou. Queria mostrar algum interesse, dar algum mimo e ele atrapalhou tudo. É frustrante que isso aconteça quando o outro se queixa que já não nos dedicamos, e numa rara oportunidade que surge a tentativa correr mal. Ainda assim a minha realidade não muda e por muito que lamente que esta tentativa não tenha corrido bem, tenho que lhe dar a devida importância no contexto actual. Amanhã já passou.

2 comentários:

Palco do tempo disse...

tive nesse hotel :)

Ao Virar da Esquina disse...

Ficamos com tantas saudades não é?